Visíveis ou invisíveis aos 50?

A questão da visibilidade tem surgido em muitos dos nossos encontros no Mulheres 50 mais. Há quem acredite que ela é cultural, comportamental e está muito mais arraigada entre nós do que conseguimos perceber. Há quem veja como uma experiência mais pessoal ou consequência das escolhas feitas nessa nova etapa da vida. Decidimos trazer essa discussão para nossos leitores a partir de dois pontos de vista diferentes. Convidamos as jornalistas Eliane Azevedo e Liara Avellar para escreverem sobre o tema.

Para Eliane, a invisibilidade chega sim junto com a meia idade. “Tenho razões para crer que o fenômeno é mais comum de ser detectado entre as representantes do sexo feminino. Um homem de 50 anos é o sujeito para quem o garçom entrega a conta, o manobreiro se dirige para pegar a chave, a recepcionista larga o telefone e dá atenção. A mulher de meia idade, não, é um ser amorfo, indistinto, vagamente loura, vagamente gorda, vagamente de óculos, vagamente reclamando de algo, vagamente vagando. Claro, há situações em que essa mulher está no comando, é uma autoridade no trabalho ou no lar. Mas quando não se sabe disso a respeito dela, PUF, ela se desvanece na bruma outonal do climatério”. CONTINUE LENDO AQUI.

Liara acredita que a sensação de invisibilidade está diretamente relacionada à alegria de viver. “Nunca me senti tão visível como agora.  Estou com 54 anos, viúva há quase dois, com uma filha de 17 e me sentindo melhor do que nunca. Conversei com várias amigas e cheguei à conclusão que autoestima é fundamental! Ecomo se conquista esse atributo mágico, que transforma a vida de uma pessoa?  Algumas já nascem com a autoestima em dia. Não sei se é genético, astrológico, hormonal, cerebral. Sorrir e viver a vida com alegria mudou tudo.” CONTINUE LENDO AQUI

E  você? O que pensa e como se sente sobre o assunto? O que você faz a respeito? Conte para nós aqui!

Nos próximos dias publicaremos mais depoimentos.

 

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1 Comment

  • Marina Makiyama

    Invisibilidade
    Meu companheiro, com quem convivo, salvo alguns interregnos, desde os 24 anos, me disse já há muitos anos que quando quero tenho poder de me tornar invisível.
    Para mim, então, tornar-se invisível sempre foi um poder, não uma maldição dos meus 52 anos, este ano. Tudo consiste em conseguir recolher o ego (e não empinar a bunda, kkkkk). Nada fácil para quem quando abre a boca parece exibidérrima como eu, na opinião sempre lúcida da Bea Falleiros. Ou até mesmo difícil para quem chama a atenção de gatos e bebês de colo, mais naturalmente observadores de outros campos da presença das criaturas que sejam gateiras ou, embora não coreana, se pareça com a Pucca.
    Mas o fato é que meu companheiro tem razão: sei como ficar invisível e descobri que é ótimo. Ajuda a não ter medo da finitude, de não estar aqui, facilita o desapegar e quase o transcender.
    Confesso até que investi na invisibilidade.
    Na Escola de Comunicação e Artes da USP, onde me habilitei em Jornalismo, decidi já aos 20 anos que não trabalharia na frente de uma câmera. Daí que achei excelente o trabalho dos repórteres-abelha (até tentei ser uma), como o da minha amiga Aline Sasahara. Aquilo de fazer matéria sem franquear a própria imagem nossa!, para mim, era o máximo.
    Pena que no Brasil não se tenha se acostumado muito a esse nerdismo, admito, de invisibilidade do narrador com câmera na mão e uma idéia na cabeça e, até hoje, esse tipo de narração esteja associado ao filme Bruxa de Blair… E os abelhas se foram.
    Mas a TV japonesa NHK e o programa Ensaio, do Fernando Faro, mostram como são inesquecíveis as matérias nas quais o foco tenha sido o assunto e quem estivesse tratando do assunto e não o entrevistador. O contrário disso é um talk show em que apresentador sabe-tudo fale mais que o entrevistado. (E se vê logo imagem de sobrepeso de quem
    estou me referindo.)
    O desejo da invisibilidade física também foi o que me fez investir em ser redatora e repórter de imprensa, isto é, da mídia escrita, onde trabalhei por 20 anos. E também tentar um pouquinho de rádio. (Fui apenas estagiária na Rádio USP, trabalhando num programa de notícias matinal com excelentes profissionais, como Mario Fanuchi, Mauricio Calil e William Bonner, na época Bonemer.) O bom do rádio é que você pode ser feia a vontade, mas se tiver voz… Então, de novo: viva a invisibilidade!
    A visibilidade no caso do jornalista pode também ser confudida com a fama e o sucesso. O que é um equívoco em si. Um jornalista, se tem que ser famoso, deveria sê-lo por suas histórias. E o reconhecimento viria daí, não porque simplesmente se invada a casa das pessoas pela telinha de TV. E todo mundo o conheça como uma prata da casa e o jornalista – ignorante, graças a Deus – não conheça todo o mundo.
    Ter esse tipo de reconhecimento significa perda do poder de não chamar a atenção para si, de ser discreta (antigamente, no século XV, discreto não era sinônimo de reservado, mas de agudeza de espírito) É uma escolha sem volta. O preço a pagar, no mínimo, a perda do direito à privacidade, não se cobre com nenhum salário ou direito a fazer reclame de salsinha.
    É claro que na sociedade do espetáculo, onde se mata por 15 minutos de fama, vai parecer que falo grego quando defendo algo assim. Não falo, mas leio. Grego antigo, oras.

    Marina Makiyama, jornalista formada e sindicalizada, está servidora pública municipal.

    11 de fevereiro de 2017 em 5:30 pm

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