As diferenças entre ter Aids
e viver com HIV

Distribuição de camisinhas. / Foto: Jessyca Zaniboni/UNAIDS Brasil

Distribuição de camisinhas. / Foto: Jessyca Zaniboni/UNAIDS Brasil

Ainda existe uma confusão entre quem vive com o HIV (vírus da imunodeficiência humana) e quem tem Aids (Síndrome da imunodeficiência adquirida). Uma pessoa pode ter o HIV, ou seja, ser soropositiva, mas não desenvolver Aids. “Quem nunca teve infecções oportunistas, pode ser um paciente assintomático. No entanto, se já teve complicações, teve Aids”, explica a doutora Valéria Ribeiro Gomes, do Hospital Clementino Fraga Filho da UFRJ.

Segundo ela, há duas formas de se acompanhar a situação dos pacientes: a carga viral, que é a multiplicação do vírus no sangue, e o CD4, que é uma medição das cédulas de defesa (CD), que regulam a imunidade. Carga viral e CD4, portanto, são inversamente proporcionais. Alguns pacientes, mesmo com o HIV, podem ter carga viral indetectável. Já o CD4 pode variar de 1 a 2.000. Quem tem mais de 200, já tem uma defesa do organismo razoável.  

Hoje, com os novos medicamentos, é possível conviver com a doença de forma controlada por muitos anos. No caso brasileiro, os números de detecção de Aids estão estabilizados há praticamente uma década, na faixa de 20,5 para 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde.

O governo tem uma meta, conhecida como 90/90/90, a ser alcançada até 2020. Isso significa o compromisso de ter 90% das pessoas vivendo com HIV/Aids com conhecimento do seu estado sorológico; ter 90% das pessoas HIV positivas em tratamento; e 90% das pessoas em tratamento com carga viral indetectável (menos de 50 cópias do vírus por mililitro de sangue). Atualmente, pelo monitoramento clínico divulgado pelo governo, a estimativa é de que haja 781 mil vivendo com HIV/Aids no Brasil. Destas pessoas, 83% já estariam diagnosticadas e 62% em tratamento com antirretrovirais (TARV). Deste último grupo, 88% teriam carga viral indetectável.

Na hora de fazer o seu exame rotineiro de Papanicolau ou até mesmo durante o controle de colesterol, a mulher deve solicitar ao seu médico o pedido para teste de HIV, diz o doutor Luiz Fernando Passoni, infectologista do Hospital dos Servidores. Além disso, ela deve observar constantemente seu corpo: se tem lesões na pele, furúnculos, se registra maior incidência de alguns tipos de alergias (como a picadas de insetos), se apresenta dermatites no rosto, perda de peso, diarreias ou aumento de gânglios.

Conheça aqui a relação de postos para testagem anônima no Rio.

Cristina Alves

Cristina Alves

Tem um gostinho especial por trabalhar em equipe. Carioca, criada no Méier, subúrbio do Rio, tem experiência de mais de 25 anos de jornalismo diário. Participou da cobertura e/ou edição de todos os planos de estabilização do Brasil pós-redemocratização. Sua relação com o jornalismo econômico começou quando era “foca” no “Jornal do Commercio” e ainda cursava a Escola de Comunicação da UFRJ, onde se graduou. Fez especialização em Políticas Públicas na UFRJ e tem MBA de Petróleo e Gás pela Coppe-UFRJ. Trabalhou ainda no “Jornal do Brasil” e em “O Globo”, onde foi editora de Economia entre 2007 e 2014, depois de atuar como repórter e subeditora. Cobriu por diversas vezes o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Desenvolveu diversos produtos editoriais para plataformas impressa e digital. Hoje, é sócia da empresa Nau Comunicação. Casada, é mãe de João e Antônio. Adora mergulhar num bom livro.

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